sábado, 13 de setembro de 2014

VOZ DIVINA


Canta, meu canário, canta,
Solta do peito, tua canção tão bela!
Que me alegra e tanto me encanta,
Todas as manhãs na minha janela!

Oh! voz divina e melodiosa,
Tu és o amor e toda a natureza,
Uma maneira pura e graciosa,
Que me protege contra essa tristeza!

Canta, meu canário, canta,
Solta do peito, tua canção tão bela!
Que me alegra e tanto me encanta,
Todas as manhãs na minha janela!

E se um canto cheio de carinho,                          
Surgir um dia no palco dessa vida,
Perceberás um lindo passarinho,
Que noutro dia fez um frágil ninho,
Numa janela em busca de guarida.

Canta, meu canário canta,
Solta do peito, tua canção tão bela!
Que me alegra e tanto me encanta,
Todas as manhãs na minha janela!

Antônio Saldanha


VOO PARA A MORTE


Partistes...
E nas sombras da noite
Deixastes o teu último adeus.
Eu ouvi os teus gemidos de socorro,
Mas, não pude vencer a força do mal.
A mesma mão que te libertou,
É a mesma que me traiu;
E que sentenciou a tua morte.
Como pode, uma mente humana,
Se bem que, adulta e evoluída,
Lançar-te assim, na escuridão da noite?
Se nem ainda, sabias voar direito!.
E muito mais ainda, nas garras
De uma fera faminta, que andava à solta.
Eu tenho pena de ti passarinho!
Te trouxe de tão longe, com tanto carinho,
Para um destino tão mesquinho!

Antônio Saldanha


TERESA MAIOR


Subi lá no morro,
Só pra vê a Teresa sambar;
A escola estava ensaiando,
E o seu povo não estava só,
O morro inteiro à clamar:
Teresa a maior! Teresa a maior!
Ela sambava, com sorriso de alegria,
Refletindo simpatia,
Machucando com o gingar.
Rodava a saia, balançando as cadeiras,
E naquela sexta-feira,
Estava eu a lhe esperar.
Hoje... a escola não ensaia,
Todo morro então se cala,
Luto preto colocou.
E ao olhar pra o firmamento,
Eu vi Teresa num momento,
Eu vi sambando,
Para o nosso Senhor.


SERENATA


De madrugada,
Bem pertinho da sua janela,
Eu fiz uma serenata,
Com toda dedicação.
Cantei um samba,
Que eu fiz pensando nela,
Esperando a flor mais bela,
Entregar-me o coração,
Mas fazer samba,
Não ficou pra todo mundo não.
Naquele samba,
Coloquei toda harmonia,
Com amor e poesia,
Toda minha inspiração,
Como também,
Essa esperança, que é só minha,
E a ingrata da donzela,
Só me deu desilusão,
Mas fazer samba,
Não ficou pra todo mundo não.

Antônio Saldanha


SENHORA


Tu senhora...
Oh! deusa
Dos meus sonhos.
Os teus olhos
Tão tristonhos,
Estão sempre
A me fitar;
De mim fazendo
Tua alegria,
E num gesto
De magia,
Teu amante
Singular.

Antônio Saldanha


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SEMBLANTE DO AMOR


Das vezes que eu te vi,
Da última ainda me lembro,
O teu olhar tão sereno,
A me fitar com doçura,
A tua voz formosura,
Me despertando o desejo.

E foi daí por diante,
Que eu percebi o semblante,
Daquele encontro fatal.
As duas almas distintas,
Naquela hora tão íntima,
Sentindo desejo igual.

Antônio Saldanha


SE EU PUDESSE


Se eu pudesse guardar,
Da flor o aroma;
Se eu pudesse o orvalho,
Da manhã reservar;
Se eu pudesse empregar,
A grandeza dos mares,
Se eu pudesse, a brisa usar.
Se eu pudesse, deter o arco-íris,
Se dele pudesse, sua beleza aplicar.
Se eu pudesse o brilho,
Das estrelas obter,
Se eu pudesse do sol,
Sua luz me apossar.
Se eu pudesse...
Parava o tempo,
Ou, se eu pudesse,
O tempo voltar!
Se tudo isso eu pudesse...
E o Dom de Deus eu tivesse,
Certamente, mamãe,
Iria te recriar!

Antônio Saldanha


RETRATO DO MEU AMOR

                                                                                                                                                             
Sabiá cantou na mangueira,
O vento soprou de manhã,
A brisa molhou-me a face,
O sol tão logo brilhou,
Morre a noite nasce o dia,
Retrato do meu amor!

Oito anos se passaram,
Sem o sabiá cantar;
O vento já não soprava,
E nem a brisa ousava,
A minha face molhar.
O sol já não mais brilhou,
Somente morria o dia,
Morria também o amor!

Tristeza, sonhos em trevas,
Insônia, sonhos perdidos.
Um turbilhão de saudade,
Saudade do amor perdido.

Cresce a rosa, corre o tempo,
E um novo dia amanhece,
Então no mês de setembro,
O meu amor aparece.

Sabiá cantou na mangueira,
O vento soprou de manhã,            
A brisa molhou-me a face,
O sol de novo brilhou,
Morre a noite nasce o dia,
Retrato do meu amor!

Antônio Saldanha 


                   

QUEM SOU EU


Quem sou eu que tudo pode,
Que fez a terra e o mar,
Que criou o sol e o céu,
E as aves que nele há,
Que criou o ar que existe,
O abismo, as trevas e a luz,
A lua e as estrelas no céu,
Foi eu também, que pôs.
Depois de tudo fazer,
Quis eu o homem criar,
Pra ele me obedecer,
E também me adorar.
Do pó, Adão eu criei,
E Eva, da sua costela,
Para formar uma nobre grei,
E os povos gerados por ela.
Um belo jardim fiz surgir,
E dei para o homem cuidar,
Para dele usufruir,
E nele pudesse habitar.
O homem que tudo tinha,
E sem esforços fazer,
Perdeu o que lhe mantinha,
Só por não obedecer.
E o verdadeiro motivo,
Que me afasta do homem,
E lhe provocar sofrimento,
Pecado, é o seu nome.
Por muito o homem amar,
Eu tive que oferecer,
Meu filho na cruz pra morrer,
E a humanidade salvar.
Caso você não lembre,
Eu sou o que sempre fui,
Sou o Princípio e o Fim,
Eu sou o pai de JESUS!

Antônio Saldanha


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PRETENSÃO


Tantos dias se passaram,
Que o tempo apagou,
O desgosto tão amargo,
Que ela um dia me causou.
E se hoje ela voltasse,
E pedisse o meu perdão...
Tê-la-ia em meus braços,
E depois de um longo abraço,
Dar-lhe-ia o coração.

Antônio Saldanha


PRA QUEM JÁ CHEGOU NOS TRINTA


Pra quem já chegou nos trinta,
Muito tempo já correu,
Conheceu muitos lugares,
Quem sabe, Buenos Ayres,
Interior que cresceu.
Nordestino cabra macho,
Que nasceu em Caicó,
Passou por Rio e São Paulo,
E em Brasília também,
Sentindo muita saudade,
Tão logo, tomou um trem.
Se instalou em Recife,
Cidade de gente do bem,
Onde fez muita amizade,
E aprendeu simplicidade
No calor do nosso ninho,
E hoje com muito carinho,
Lhe rendemos essa homenagem,
Com muita sinceridade,
Por essa linda passagem,
Da sua natalidade,
Que o destino lhe deu!

Antônio Saldanha

Homenagem prestada ao amigo Odílio  Alves, colega de trabalho na Xerox do Brasil (filial Recife), pela comemoração dos seus trinta anos.
23-10-50/23-10-80

POEMA PARA LAÍS

                 
No dia que você nasceu,
O céu ficou todo azul,
O sol surgiu com mais brilho
E a lua emitiu bem mais luz.

E foi com grande alegria,
O seu ingresso entre nós,
Fazendo bater mais forte,
Num compasso acelerado,
Os nossos corações.

Pois cada dia que passa,
Você nos enche de graça,
O coração que estava vazio.

E a cada dia que surge,
Você com seu sorriso tão meigo
E esses olhos tão azuis,
Nos transmite uma paz imensa,                       
Que tanto nos alimenta,
E nos deixa tão feliz.

Antônio Saldanha