Havia uma mulher na cidade
de Olinda, que gerou uma família com sete filhos, e que ainda na sua mocidade
veio a enviuvar. Tremenda foi a sua dificuldade para criar os filhos, com o
pequeno recurso deixado pelo seu marido e ainda pela falta de experiência na
administração financeira.
Porém, ela não se deixou
abater diante das lutas; e se grandes foram os obstáculos que lhe surgiram,
maior foi a sua coragem e a vontade de vencer, que lhe impulsionaram a
conquistar muitas vitórias e por fim a se tornar uma grande guerreira.
A sua dedicação aos filhos
era algo imprescindível em sua vida, pois os mesmos andavam sempre limpos e bem
cuidados; e por isso foram criados
através de um método bastante simples, que era alicerçado no respeito, no amor e na solidariedade.
E com o passar do tempo, os
filhos mais velhos iam ajudando a cuidar dos menores e assim aquela família ia
crescendo unida através do amor.
Entretanto, mais uma vez
aquela guerreira veio enfrentar outro doloroso golpe que a vida lhe aplicara,
pois há dezessete anos após perder o seu marido, vem agora a se deparar com a
perda de dois filhos num acidente automobilístico. Penoso foi o seu sofrimento, pois,
justamente quando eles desfrutavam da mais bela fase de suas vidas, foram impedidos
de seguirem adiante.
E mesmo diante desta
circunstância, ela não se deixou vencer, e mais uma vez, movida pela fé e o
amor incondicional pelos filhos, encontra força e coragem para superar aquele
momento tão amargo e difícil.
Admirável era a maneira com
que se relacionava com os filhos; pois, apesar do seu pouco estudo, ela agia
com grande sabedoria, porque interagia com eles de forma individualizada; e
quando precisava corrigir aquele que era um pouco rebelde, usava de mais rigor;
aquele que era mais frágil, um pouco mais de carinho; aquele destrambelhado,
usava de mais paciência.
Assim, ela tinha o cuidado
de não deixar que nenhum deles se
sentisse desanimado depois da correção, e mesmo diante dessas
diferenças, a medida de amor que ela empregava, era igual para todos.
Como era de se esperar,
grande foi a vitória daquela mulher, em ver os seus filhos bem encaminhados na
vida e de alcançar uma velhice feliz, desfrutando da companhia e do carinho das
três gerações, ou seja, dos filhos, netos e bisnetos.
E o final da sua jornada
entre nós, aconteceu de forma inusitada, porquanto, a sua fé, o amor que tinha
pela vida e sua capacidade de superação, veio a surpreender até a equipe médica
que lhe assistia na sua enfermidade terminal, pois veio a completar os seus
oitenta e nove anos, que foram comemorados com uma bela festa... E lá estava ela bastante elegante e
cheirosa, a receber seus convidados, amigos e familiares.
Passados sete meses, na
manhã de 25 de dezembro de 2009, dia de natal, ela partiu para mansão
celestial; deixando além da imensa saudade, um grande legado, constituído da
prática do amor ao próximo, da solidariedade, do ato de não descriminar as
pessoas, da convivência em harmonia e a esperança de um dia melhor.
Para mim, falar sobre essa
mulher, é acima de tudo motivo de admiração e orgulho, pois as melhores coisas
que o dinheiro não pode comprar, com ela eu aprendi a conquistar.
A sua maneira de viver muito
impressionava, pois os seus momentos de alegria era sempre compartilhados com
as pessoas, e nas adversidades, não abria a boca para murmurar, apenas na
prática da
sua fé, alimentava sempre a
esperança de dias melhores e assim com
bom ânimo, ia vivendo cada dia.
Verdadeiro é este relato e
digno de ser lembrado, pois, durante sessenta e três anos, eu fui agraciado
pela sua companhia e tive o divino privilégio de ser um dos seus filhos.
Homenagem prestada à Maria
Emília Monteiro e Silva,
pelo seu filho Antônio
Saldanha e Silva
Olinda, 25 de dezembro de
2010
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