sábado, 6 de setembro de 2014

A MULHER VIRTUOSA


Havia uma mulher na cidade de Olinda, que gerou uma família com sete filhos, e que ainda na sua mocidade veio a enviuvar. Tremenda foi a sua dificuldade para criar os filhos, com o pequeno recurso deixado pelo seu marido e ainda pela falta de experiência na administração financeira.

Porém, ela não se deixou abater diante das lutas; e se grandes foram os obstáculos que lhe surgiram, maior foi a sua coragem e a vontade de vencer, que lhe impulsionaram a conquistar muitas vitórias e por fim a se tornar uma grande guerreira.

A sua dedicação aos filhos era algo imprescindível em sua vida, pois os mesmos andavam sempre limpos e bem cuidados; e por isso foram  criados através de um método bastante simples, que era alicerçado  no respeito, no amor e na solidariedade.

E com o passar do tempo, os filhos mais velhos iam ajudando a cuidar dos menores e assim aquela família ia crescendo unida através do amor.

Entretanto, mais uma vez aquela guerreira veio enfrentar outro doloroso golpe que a vida lhe aplicara, pois há dezessete anos após perder o seu marido, vem agora a se deparar com a perda de dois filhos num acidente automobilístico.    Penoso foi o seu sofrimento, pois, justamente quando eles desfrutavam da mais bela fase de suas vidas, foram impedidos de seguirem adiante.

E mesmo diante desta circunstância, ela não se deixou vencer, e mais uma vez, movida pela fé e o amor incondicional pelos filhos, encontra força e coragem para superar aquele momento tão amargo e difícil.

Admirável era a maneira com que se relacionava com os filhos; pois, apesar do seu pouco estudo, ela agia com grande sabedoria, porque interagia com eles de forma individualizada; e quando precisava corrigir aquele que era um pouco rebelde, usava de mais rigor; aquele que era mais frágil, um pouco mais de carinho; aquele destrambelhado, usava de mais paciência.

Assim, ela tinha o cuidado de não deixar que nenhum deles se  sentisse desanimado depois da correção, e mesmo diante dessas diferenças, a medida de amor que ela empregava, era igual para todos.

Como era de se esperar, grande foi a vitória daquela mulher, em ver os seus filhos bem encaminhados na vida e de alcançar uma velhice feliz, desfrutando da companhia e do carinho das três gerações, ou seja, dos filhos, netos e bisnetos.

E o final da sua jornada entre nós, aconteceu de forma inusitada, porquanto, a sua fé, o amor que tinha pela vida e sua capacidade de superação, veio a surpreender até a equipe médica que lhe assistia na sua enfermidade terminal, pois veio a completar os seus oitenta e nove anos, que foram comemorados com uma bela festa...    E lá estava ela bastante elegante e cheirosa, a receber seus convidados, amigos e familiares.

Passados sete meses, na manhã de 25 de dezembro de 2009, dia de natal, ela partiu para mansão celestial; deixando além da imensa saudade, um grande legado, constituído da prática do amor ao próximo, da solidariedade, do ato de não descriminar as pessoas, da convivência em harmonia e a esperança de um dia melhor.

Para mim, falar sobre essa mulher, é acima de tudo motivo de admiração e orgulho, pois as melhores coisas que o dinheiro não pode comprar, com ela eu aprendi a conquistar.

A sua maneira de viver muito impressionava, pois os seus momentos de alegria era sempre compartilhados com as pessoas, e nas adversidades, não abria a boca para murmurar, apenas na prática da
sua fé, alimentava sempre a esperança de dias melhores e assim  com bom ânimo, ia vivendo cada dia.

Verdadeiro é este relato e digno de ser lembrado, pois, durante sessenta e três anos, eu fui agraciado pela sua companhia e tive o divino privilégio de ser um dos seus filhos.

Homenagem prestada à Maria Emília Monteiro e Silva,
pelo seu filho Antônio Saldanha e Silva

Olinda, 25 de dezembro de 2010

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